sábado, 9 de agosto de 2014

Escola fechada. O Monte regressa e volta às suas origens.

A Escola do Monte já funciona desde 1972. Depois de 1990 ela passou por mudanças em seu funcionamento. Em 1999 teve um considerado crescimento. Mas foi em 2001 que ela atingiu a parte mais alto do pódio: atendendo alunos da Educação Infantil até a antiga 8ª série (atual 9º ano) uma conquista na gestão do então prefeito José Ribeiro de Moraes (Zé Leal), juntamente com Lauro e demais membros da comunidade que lutaram a fim de impedir que as crianças estudassem em na sede do município que fica a 17 km.
Desde o ano passado (2013) a Secretaria Municipal de Educação de Banzaê anunciou o fechamento de duas escolas no município: Escola Municipal José Dionísio de Oliveira (aqui no Monte) e a Camilo Leles (em Campo do Brito) e outras que ainda não podem ser citadas.
Desde o ano passado essa notícia vem causando uma repercussão [negativa] na população local.
Os motivos (aqui no Monte)
De maneira notória, uma das questões pode ter sido o grande êxodo rural vivido pela comunidade nos últimos 10 anos.
De acordo com levantamento feito por um dos moradores (José Andrade, atual diretor da Escola), há uns 3 anos atrás, cerca de 250 pessoas se deslocaram do Monte para a Baixada Santista, em especial para a cidade de Santos (SP), em busca de melhores condições de vida, visto que os recursos financeiros para as famílias não suprem as necessidades das mesmas. Desses, cerca de 40 a 50 são crianças, adolescentes e jovens com idade (ou condições) de cursarem o ensino fundamental (oferecido no Monte desde 2002).
Outro que também pode ser claro é a famosa redução de gastos. Suponho.
Se na prefeitura de Banzaê tiver uma boa equipe na Secretaria de Economia e Desenvolvimento (ou outro departamento financeiro) , chegará a conclusão de que esse motivo não é tão verdadeiro. Não precisa ser economista ou ter formação em área financeira para chegar a essa conclusão. A verdade, é que ao invés de reduzir, vai gastar ainda mais. Como? É só analisar o que vai ser atingindo nessa mudança.
Ah, sim! Pode reduzir. Porque fechando essas escolas não precisará fazer concurso novo público (do tipo REDA ou efetivo) para suprir uma necessidade em mudança de carga horária dos professores do Ensino Fundamental das séries iniciais: redução da caraga horária, e para isso terá que encontrar professores volantes para o dia de folga do titular.
Mesmo assim talvez não seja preciso a realização de um novo concurso. Se no município de Banzaê está tendo uma redução drástica no número de alunos, isso resulta em excedência no número de professores, isto é, talvez alguns não esteja mais atuando em sala de aula. E onde estão? E o que fazem? Caso que cabe aos vereadores analisarem o que está ocorrendo e tomar as devidas providências antes de alegarem a redução de alunos nas escolas.
Se até 2012 havia números o suficiente, o que aconteceu para ter essa redução dramática? Para os cientistas sociais esse é um bom para pesquisa, ainda mais no que diz respeito ao êxodo rural.
A Escola M. José Dionísio vem dando passos largas na evolução através de recursos oriundo do MEC via associação de Pais e Mestres e do PDE e outros programas, e pelo que se percebe, "tudo isso irá por água a baixo".
A Escola do Monte sempre agraciada com seu quadro de professores (falando do período de sua nucleação), diretores e demais funcionários desde o portão até a cozinha. Teve bom quandro discente, que aliás, sempre foram moradores do Monte, com exceção de 2002 a 2005 que tiveram alunos do Curral Falso.
E por que uma escola que sempre foi "independente" quanto ao quesito quadro discente terá que fechar e se deslocar para outras que sempre receberam alunos das localidades circunvizinhas?
Regrediremos e voltaremos para as origens: a grande maioria estudando [novamente] no Curral Falso e uma minoria no Palmares (antigo Segredo), e a tão sonhada escola que foi conquistada com dificuldades e "brigas" travadas com o poder executivo municipal, simplesmente estará chegando ao seu fim. E chegando a fim definitivo, fica a pergunta: O que será feito com espaço e os materiais adquiridos?
Se o Monte sempre teve o número reduzido de alunos, então por que justo agora, em pleno mês de agosto, é que se tomou essa decisão (que ao meu ver parece) arbitrária?
Se a redução de alunos é um fato, por que não aguarda ao menos o ano letivo terminar e ver as possibilidades para o próximo ano e por que não impedir "que o carro ande logo no início"?
Se continuar assim, nos próximos dois anos poderão ser fechadas mais duas escola, ficando uma média de 1 escola a cada ano.
O rumo de toda essa história terá um parecer no dia 28 desse mês na Câmara Municipal de Vereadores de Banzaê em uma audiência pública com Ministério Público de Ribeira do Pombal.

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